Cooperativa: O Negócio Onde Você é Dono e o Lucro é Social - O Guia Definitivo para Abrir uma Cooperativa
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1. Cooperativismo: O Fim do Empreendedorismo Solitário
Empreender individualmente é, muitas vezes, uma jornada de isolamento e riscos desproporcionais. No mercado tradicional, o capital dita as regras, e o pequeno empreendedor luta sozinho contra gigantes. Mas e se houvesse uma forma de unir forças sem perder a autonomia? O cooperativismo surge como essa alternativa disruptiva: um modelo de negócio robusto onde as pessoas vêm antes do capital. Aqui, a eficiência econômica caminha lado a lado com a ética, transformando concorrentes em parceiros de um destino comum. É o fim do "cada um por si" e o início da prosperidade compartilhada. Neste artigo, saiba o passo a passo para abrir uma cooperativa.
2. A "Mágica" dos Números: De 7 a 20 Pessoas para Abrir uma Cooperativa

Diferente de uma sociedade comercial comum, abrir uma cooperativa exige um quórum mínimo para nascer, e entender essa flexibilidade é o primeiro passo estratégico:
Cooperativas em Geral: Exigem o mínimo de 20 pessoas físicas.
Cooperativas de Trabalho ou de Produção: Podem ser fundadas com apenas 7 pessoas.
Análise do Estrategista: Esta redução para 7 membros nas cooperativas de trabalho é um verdadeiro "divisor de águas" para a economia criativa e prestadores de serviços. Ela funciona como um acelerador para grupos de artesãos, consultores ou especialistas em tecnologia que desejam formalizar um negócio escalável com agilidade, permitindo que pequenos coletivos acessem mercados antes restritos a grandes empresas.
3. Sobras em vez de Lucros: Onde o Dinheiro Realmente Fica

No cooperativismo, não falamos em lucro, mas em sobras líquidas. Essa distinção não é apenas semântica; ela define a justiça do modelo.
"A cooperativa é uma associação de pessoas com interesses comuns, economicamente organizadas de forma democrática, isto é, contando com a participação livre de todos e respeitando direitos e deveres de cada um de seus cooperados, aos quais presta serviços, sem fins lucrativos." — Sistema OCB/RO.
Enquanto em uma empresa tradicional o lucro é distribuído com base em quem tem mais ações, na cooperativa as sobras retornam ao associado de forma proporcional ao seu movimento financeiro com a organização. É muito importante você saber disso antes de abrir uma cooperativa.
Os Pilares da Sustentabilidade Financeira: Para garantir a perenidade do negócio, a cooperativa deve obrigatoriamente constituir dois fundos indivisíveis antes de distribuir qualquer valor:
Fundo de Reserva (mínimo de 10% das sobras): Destinado a reparar perdas e garantir o desenvolvimento das atividades.
FATES (mínimo de 5% das sobras): Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social, voltado aos associados e seus familiares.
Análise: O coração financeiro é a taxa de serviço (administração). O estrategista deve equilibrá-la com maestria: se for muito alta, gera sobras excessivas que poderiam estar no bolso do cooperado; se for muito baixa, gera perdas que ameaçam a operação.
4. O "Ato Cooperativo": O Segredo dos Benefícios Fiscais

O tratamento tributário diferenciado é o que torna a cooperativa extremamente competitiva. Como ela não é uma sociedade comercial, os "atos cooperativos" (operações entre a cooperativa e seus sócios) possuem isenções e não incidências cruciais:
PIS: Incide de duas formas: 1% sobre a folha de pagamento ou 0,65% sobre a receita bruta.
Cofins, CSLL e IRPJ: Não incidem sobre as sobras decorrentes de atos cooperativos.
ISS (Imposto Sobre Serviços): O fato gerador, na visão de especialistas, deve ser apenas a taxa de administração, e não o faturamento total.
ICMS: Incide apenas se houver circulação de mercadorias, conforme a legislação estadual.
Análise: Essa blindagem fiscal sobre o ato cooperativo reduz drasticamente o custo operacional, permitindo que o grupo ofereça preços menores ou retenha mais valor para reinvestimento tecnológico.
5. O Estatuto Social: A "Constituição" do Seu Grupo

O Estatuto Social é o documento que garante que a democracia não se perca no caminho. Nele, vigora o princípio fundamental: "um membro, um voto", independentemente do capital investido.
Regras de Ouro para o Capital Social:
Limite de Quotas: Nenhum associado pode subscrever mais de 1/3 do total das quotas-partes (evitando a concentração de poder).
Valor Unitário: O valor de cada quota-parte não pode ultrapassar o salário mínimo vigente.
Remuneração: É vedado distribuir privilégios financeiros, permitindo-se apenas juros de até 12% ao ano sobre o capital integralizado.
Análise: Um estatuto técnico e detalhado — prevendo condições de admissão, demissão e o destino exato das sobras — é a ferramenta de gestão que previne conflitos e atrai talentos que buscam segurança jurídica e transparência.
6. O Roteiro da Fundação: Os 3 Passos Essenciais
Para transformar o propósito em realidade jurídica, siga este fluxo:
Passo 1: Preparação e Viabilidade Estratégica
Antes de registrar, o grupo deve responder a perguntas críticas:
A necessidade é sentida por todos?
A cooperativa é a solução mais adequada para este problema?
Os interessados estão dispostos a operar exclusivamente com ela?
O volume de negócios previsto sustenta a estrutura?
Passo 2: Assembleia Geral de Constituição
É o momento solene onde os fundadores votam o estatuto e elegem os dirigentes e o conselho fiscal.
Passo 3: O Registro Triplo (Checklist Documental)
Embora "nasça" na assembleia, a cooperativa só pode operar após os registros:
Junta Comercial: Requer 4 vias da Ata e do Estatuto (rubricadas por todos e com visto de advogado), RG/CPF do presidente, comprovante de endereço e relação nominativa de sócios.
Receita Federal: Obtenção do CNPJ com a lista completa de diretores e associados.
Sistema OCB: Registro obrigatório por lei para garantir a representação e regularidade do setor.
Precisa de ajuda para abrir a sua cooperativa?
Na Evoluir Gestão Empresarial, o CEO Adm. Eduardo Bockel é especialista com MBA em Gestão de Cooperativas, além de possuir mais de 25 anos de vivência prática em ambientes de cooperativas, inclusive, já trabalhou como colaborador em uma cooperativa durante 12 anos.
Veja o que ele fala sobre modelo de negócio de cooperativa:
7. Diferentes Rostos da Cooperação: Impacto e Ramos

O cooperativismo não é um nicho; é um pilar da economia nacional, organizado por impacto econômico:
Agropecuário: Um gigante que move o Brasil, representando cerca de 26,6% do PIB do agronegócio, garantindo escala para o pequeno produtor.
Crédito (Financeiro): Instituições que oferecem taxas mais justas e reinvestem os excedentes na própria região.
Trabalho e Produção: Organiza profissionais (médicos, advogados, artesãos) para prestação de serviços coletivos.
Consumo e Infraestrutura: Focados em baratear o acesso a bens (supermercados) ou serviços essenciais como eletrificação rural e saneamento.
8. Conclusão: O Futuro é Coletivo
O cooperativismo prova que a viabilidade econômica não precisa excluir a responsabilidade social. Ao fixar a riqueza localmente e promover a gestão democrática, as cooperativas não estão apenas vendendo produtos ou serviços; elas estão construindo comunidades resilientes.
O desafio final: Olhe ao seu redor e identifique — quais necessidades você compartilha com seus pares hoje? Quem seriam os primeiros 6 parceiros (ou 19) para fundar sua organização? O futuro pertence aos que compreendem que cooperar não é apenas uma escolha ética, é o melhor negócio que você pode fazer.










































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